comVinho – onde comprar, bom e barato, dicas e experiências enófilas

Pergunta do dia: qual vinho diferente você tomou recentemente?

Diferente quer dizer de um novo país ou região. Uma uva que você nunca tinha ouvido falar ou até mesmo um corte excêntrico. Se a resposta à essa pergunta não surgir em sua mente em 3 segundos, pare tudo! Pare de comprar os mesmos vinhos, pare de focar em uma única região ou país, pare de tomar o Malbec, Cabernet ou Carmenère.

Beber vinho é experimentar, trocar novas experiências com amigos, família, namorada ou sozinho, por que não? Beber vinho é descobrir o que há por trás de cada combinação que faz, não apenas um rótulo, mas cada garrafa, única. Explore, aprenda, pesquise e compre diferentes vinhos. Essa é a melhor forma de desenvolver o seu paladar e curtir o que o vinho nos oferece de melhor, a variedade.

Converse com os amigos sobre cada vinho. Respeite as opiniões diferentes da sua e mais importante do que isto, dê sua opinião. Cada paladar é único e não importa quantos pontos o Robert Parker deu naquele vinho ou quão bem aquele seu amigo falou, o seu gosto, a sua opinião, é o que importa.

Compre os vinhos que você gosta, claro. Tome-os ao passar do tempo para ver como aquela safra se desenvolve, como o seu paladar se desenvolve. Mas arrisque também. Não tenha medo de errar. Mesmo um vinho que não seja do seu gosto irá te ensinar algo valioso.

E aí, qual vinho diferente você tomou recentemente?

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Los Mareados Reserva, 2006 – Cabernet Sauvignon

Los Mareados Reserva, 2006 – Cabernet Sauvignon Chileno

Los Mareados Reserva - 2005Este vinho foi uma das grandes e boas surpresas que tive recentemente. Abrimos na casa de um amigo sem grandes referências (do vinho!). Alguém já havia experimentado e apenas nos recomendou como um bom custo benefício.

A primeira impressão, na taça, é a de um típico bom Cabernet chileno. Cor densa, escura, gritante, como quem diz: “você não viu nada, aguarde até colocar na boca…”. O nariz foi realmente o que mais me impressionou. Eu fiquei minutos e minutos apenas rodando a taça e colocando o nariz o mais próximo possível do líquido. Demorei um pouco até entender o que realmente este vinho trazia à minha memória olfativa. Vegetais! Sim, esse vinho exalava vegetais. Na boca, ele entrega exatamente o que promete no nariz, e eu adoro isso. Era como se eu tivesse comendo um belíssimo prato de berinjela*, com casca, e muito bem temperada. Potência na medida certa e final prolongado, onde o gosto de vegetais vai se transformando naquela sensação de terra molhada de quando começa a chover.

Outras avaliações que achei deste vinho não combinam muito com essa de Vegetais. Mas esta é a maior graça de todo este negócio, não é mesmo?

R$ 65,00 na Vinea Store – o preço não é baixo, mas vale a pena experimentar. No mínimo é diferente dos tradicionais cabernet chilenos.

*descobri que Berinjela, que também pode ser escrito Beringela, não é um vegetal, mas sim um fruto!!! Ah, desculpem, mas para mim continuará sendo vegetal, assim como esse vinho.

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Bourgogne, 2006 – Cuvée Latour

Bourgogne, 2006 – Cuvée Latour da região Côte D`Or

Bougogne, 2006 - Cote - D`or (83 pts)

Convidado de surpresa para um jantar de Pessach, páscoa judaica, e sem saber exatamente quais são os pratos típicos desta data, assumi a difícil tarefa de levar um vinho. Com base em todo o meu conhecimento sobre a culinária judaica (quase nenhum) inferi que teríamos Gefilte Fish e provavelmente depois uma carne não muito pesada, um lombo talvez. O Bourgogne acima foi minha escolha.

Ao início do jantar percebi que a escolha do vinho foi até que pertinente. Realmente foi servido o Gefilte Fish de entrada e o prato principal foi um filé mignon ao molho de shimeji, apesar de carne, um prato com sabor delicado. O grande erro foi a ordem que servi os vinhos. Como já havia um outro vinho na temperatura ideal, um Montepulciano D’Abruzzo delicioso (que falarei em outro post) deixei o francês para resfriar um pouco mais. Grande erro! Não só o paladar já acostumado com o bom corpo do italiano ficou prejudicado como perdemos a entrada, o peixe, que harmonizaria muito melhor com o Bourgogne do que com o italiano.

Ainda assim foi possível apreciar as qualidades deste vinho, que ao meu ver expressa bem as características da Pinot Noir e da região de Bourgogne. Sua cor foi provavelmente o que mais chamou a atenção, tornou-se o assunto da mesa, vermelho muito vivo,  belíssimo, a cor que um suco de tomate teria se fosse translúcido.  No nariz, o mais puro aroma de maça verde, bastante interessante.  Na boca se mostrou um pouco alcoólico e tânico demais o que ao meu ver prejudicou a estrutura do vinho, mas gostei do cassis e frutas vermelhas com final persistente. A garrafa secou, rapidamente, ao final do jantar. Curiosamente harmonizou bem com a torta de limão, servida de sobremesa.

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