comVinho – onde comprar, bom e barato, dicas e experiências enófilas

Capítulo 12 – Um best-buy ou o bom uso do decanter? O mito da metade da garrafa

Venho dividir com vcs minhas impressões de um legítimo Napa Valley: COURTNEY BENHAM, Napa Valley, Cabernet Sauvignon com Merlot (78% – 12%), 2006. Como diriam aqui nas terras do Tio Sam, “waaaaaaaaay better” se comparado ao Running with the Scissors. Trata-se de um vinho tinto com aquilo que eu – com minha pouca experiência por aqui – diria que concentra as principais características dos Cabernet Sauvigon daquelas bandas.

É um vinho rico e intenso, com pouca madeira e muita fruta madura, que vira um pouco gosto de tostado ou fumo (vai saber!), desde o começo bastante aveludado, e graças aos céus, de final longo! Na internet, vi que a Wine Enthusiast classificou com 87 pontos. Na loja, paguei USD18 s.m.j. Nota 8,2.
Bom, após essas informações sem muita precisão técnica, vamos para onde eu posso contribuir: a experiência de beber o vinho. Pessoal, aqui abro um enorme parênteses: quando devo usar o decanter? “Devo”? Há motivo para tal? Quando um vinho comporta e quando não comporta um decanter? Olhem, conversando com um expert da Total Wine, um francês radicado aqui há 8 anos, ele me disse o seguinte: salvo raras exceções, sempre devemos nos socorrer do decanter quando possível. Ele usa para tudo, e na maioria das vezes, o delta-T é de cerca de 2 horas. Eu me contendo com 30 min na regra geral, com direito a 45min para poucas garrafas (via de regra, a 2ª garrafa do momento).
Na minha opinião, o decanter te dá 30min (ao menos) de vantagem na degustação de uma garrafa. Salvo aqueles vinhos muito velhos e delicados, tudo aquilo que refere-se ao dia-a-dia (e posso arriscar dizer que aplica-se a tudo de até uns 8 a 10 anos de idade) merece um decanter.
Bom, depois de puxar tanta sardinha para o lado do tal do decanter, volto ao Courtney Benham: menos de 10 min. de respiro e já fui prová-lo. O primeiro gole estava alcoólico, culpa dos 13,9ºGL. O resto, foi uma maravilha. Talvez por ser novo, assim que você bebe a primeira comparação é com um vinho frutado com final longo: Barolo na cabeça, eu pensei. Mas aí, poucos segundos depois mostraram aquela sensação que eu curto muito de um corte aveludado de Cabernet, quase adstringente. E o corpo vem na sequencia, e persiste na boca com um final longo. Delicioso. Faltou uma carne para acompanhar.
Bom, se eu escrever algo além disso para essa garrafa, seria pura ficção não-científica. Então vamos ao último tópico: o mito da 1/2 garrafa (tm Jig), que novamente comprovei hoje. Num tenho muita resposta, nem mesmo muitas colocações a respeito, senão um punhado de dúvidas fracas que não nos levarão a muito lugar que não um desabafo coletivo. Porque catzo toda garrafa fica melhor após bebida a 1ª metade dela? Seria o álcool indo embora? Ou seria ele chegando (no nosso fígado)? Seria a tal da oxidação? Meias garrafas seriam o caminho da salvação (hehehe … me diverti com essa; mas adianto que não é a saída)?????
Enfim, com o Courtney Benham não foi diferente.
Para a posteridade, fica a dica desse vinho. Eu recomendo.

ASF

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Vinho para todos. Todos mesmo!

Eu defendo este lema, mas talvez de uma forma um pouco diferente do que o habitual. É cada vez mais raro o enófilo conservador que preserva o seu costume de degustar o vinho cheio de pompa e cada vez mais comum o discurso não menos chato dos “anti-enochatos”. São pessoas que até gostam de vinho, mas por não se interessarem em estudar minimamente o assunto, assumem que qualquer um que sabe diferenciar um Pinot Noir de um Malbec, é um enochato.

Não é bem por aí. Precisamos sim popularizar o vinho e evitar o enochatismo fora de hora. O próprio comVinho surgiu com esta missão, não apenas o blog, mas através de um projeto que muito em breve estará no ar, para facilitar a vida de todos nós consumidores. Isso significa tornar o vinho mais acessível em preço e também como informação, explicar de forma simples o caminho para uma boa compra e a melhor escolha de rótulos para cada situação. Existem muitos blogs sobre o assunto com abordagens variadas, inclusive esta visão mais pragmática. O Enoblogs, aliás, é uma ótima iniciativa para organizar toda esta informação.

Porém, não podemos cair no outro extremo. Falar sobre vinhos, degustar, prestar atenção nas características olfativas e gustativas não só é necessário para a indústria como é divertido para os apreciadores. Assim como na música, é possível aumentar o seu prazer de beber um vinho se você desenvolver o seu paladar, sua memória e capacidade de fazer associações.

Muitas pessoas gostam e entendem de vinhos, mas evitam falar qualquer coisa sobre o que estão sentindo ao degustar para não parecer um enochato, mesmo em situações absolutamente apropriadas para isto. Nada contra quem quiser passar a vida inteira tomando vinho sem nunca compará-lo a uma fruta, ou buscar desvendar um aroma diferente. A maior parte dos consumidores nunca fará isto. Mas que deixem os interessados se aprofundar e respeitem este conhecimento, assim como paramos para ouvir os comentaristas de futebol (mesmo quando não há nada a ser dito).

É evidente que há situações completamente inapropriadas para a degustação, nem precisamos nos alongar nos exemplos. Mas há muitas outras que são deliciosamente propícias para isto. Foi justamente por esta falta de bom senso que surgiram os anti-enochatos.

Se você gostaria de aprender mais sobre vinho, mas acha que não é capaz de fazer associações, você está errado. Crie sua confraria, reúna os amigos mais próximos (e com o mesmo interesse)  e aproveite para falar sobre vinhos, degustar, harmonizar e aprender, sem receio de não gostar daquele vinho de 92 pontos do Robert Parker. Seja educado e deixe de fora quem não gosta de nada disso. Cada chato no seu galho, não é mesmo?

Beber e falar sobre vinhos com os amigos é um ótimo programa. É prazeroso e cultural. Conversas sobre vinhos sempre envolvem conhecimentos interessantíssimos sobre geografia, história e curiosidades. É diversão na certa.

Como tudo neste vida, o segredo é o equilíbrio. Há de existir vinhos para todo e qualquer tipo de consumidor. E há de todo e qualquer tipo de consumidor entender que existem situações adequadas para cada tipo de consumo. Assim eu espero.

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Capítulo 2 – Correndo com tesouras, o conceito de “missão, visão, valores” com bom humor

Voltei.

Vim para falar de um tinto, Cabernet Sauvignon 2006, da Costa Central da Califórnia.
Antes de tudo, vou dividir uma percepção: aqui, muitos rótulos de vinhos são criados com idéias peculiares, sendo bem conservador.

Vamos ao que interessa:  RUNNING WITH SCISSORS, Central Coast, Cabernet Sauvignon, 2006. Uma peça rara, um vinho tinto nota 5,43 (de 0 a 10 na minha escala, calma que aos poucos vcs. vão saber fácil o qto isso significa).

scissors

Fui na Total Wine e, numa conversa com os ótimos vendedores, cheguei a esse rótulo. Já estava com meu carrinho cheio para repor minha adega pós-transferência, então pedi pelos best-buys mais em conta. Cheguei a essa garrafa, na casa dos USD10.

Na primeira olhada, me saltou aos olhos o nome: “Correndo com Tesouras” (tradução própria). Estranho, não? Fui ao rótulo “dos fundos”, e li uma cômica história. A Running With Scissors Vineyards acreedita estar num mundo de duas crenças:  (i) de que não se deve correr com tesouras, e (ii) de que não se vende vinho premiado abaixo de USD15. E têm a convicção de que a segunda regra existe … para ser quebrada!

Posto isso, eles oferecem um vinho com a tradicional fruta madura da Costa Central californiana (região norte de Monterey) – basicamente as cherries – , de com bastante corpo, para acompanhar uma carne vermelha ou um prato carregado no tempero.
Na boca, não percebi muita madeira, se muito deve estagiar em barris por no máx. 6 meses.  É um vinho redondo, mas de uma impressão apenas, com final não tão longo.

A comparação imediata é com um Amarone italiano, e creio que isso diz muita coisa. Como nos cartazes estudantis da época da Ditadura, “ame-o ou deixe-o” (tm FLTG, com todas as pompas e circunstâncias!). Eu o deixei, depois de 3 taças – o gosto do Grana Padano ficou tímido perante esse vinho. Minha esposa também o deixou na seqüência. Mas vale o registro.

ASF.

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Capítulo 1 – Introdução + Metas

Cheguei.

To aqui para contribuir, seja pela construção, ou mesmo pela destruição. Não me levem tão a sério, na maioria das vezes que postarei, estarei com emoção na ponta dos dedos …. não pelo teclado, mas sim por uma garrafa de vinho. Na linha do Tim Maia, “às vezes eu minto um pouquinho” (tm Nelson Motta).

Um breve ” resumé”: brasileiro, advogado, casado, bebo vinho há mais de 20 anos, mas aprecio desde 2005 – intensamente. Vida de peão, vim transferido recentemente para os EUA pela minha empresa, e na linha do “trabalha-se para viver” (ao invés do oposto), decidi que minha meta seria aprender (mas longe de ” dominar”) o mercado americano de vinhos. E aos poucos, vou compartilhar com vcs minhas impressões.

Como vcs poderão ver nos meus posts, esse mercado parece um poço sem fundo de tão grande, e sobra pouca coisa para o resto do mundo e, em especial, para a América do Sul. É muito desenvolvido, sofisticado,e competitivo, por conta de tributação favorecida (vinhos aqui são taxados como alimento, s.m.j. – idéia que a Estação do Vinho quer amadurecer por aí, correto? sábia iniciativa). Algumas idéias lançadas ao ar poderão resultar em boas discussões e trocas de experiência, como (i) os vinhos (opa!), (ii) o mercado e o gosto local, (iii) as facilidades (franceses mais em conta que na própria França? lojas do tamanho de mini-mercados?), (iv) as principais regiões, (v) os restaurantes x preços x BYO fase II, e (vi) outros (coloquei “outros” pq esqueci o que iria escrever … acontece!).

Enfim …. what’s up, buddy!

ASF.

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