comVinho – onde comprar, bom e barato, dicas e experiências enófilas

Livros sobre vinhos, para ler e degustar

Há muitos livros sobre Vinhos, principalmente guias ou enciclopédias. É bom tê-los em casa para consultas ocasionais, mas como leitura mesmo eu gosto de romances que misturam História e Vinhos. E estes são bem mais raros, principalmente traduzidos para o português. Li dois recentemente que gostaria de compartilhar com vocês.

A Viúva Clicquot A Viúva Clicquot – A história de um império do Champanhe e da mulher que o construiu, de Tilar J. Mazzeo.

O título diz tudo. Pesquisa aparentemente tão profunda quanto possível para remontar a história de Barbe-Nicole Ponsardin, filha de comerciante burguês nascida em Reims, cidade próxima a Champagne. Criada para ser esposa aristocrata, passou anos difíceis em sua infância, fugindo da violenta revolução francesa.

Casou-se jovem com o sonhador François, filho de um poderoso comerciante têxtil que possuia grandes propriedades vinícolas em torno de Champagne. Na época, era um negócio secundário da família, que vendia as uvas para diversos produtores da região. O casal investiu tudo o que tinha e não tinha nas vinhas. Foram anos dificílimos durante as guerras e invasões do final do século 18 e início do 19. Somente após anos da morte do marido que a Viúva, com maestria na arte de produzir vinhos e fazer negócios, consolidou-se como a rainha do Champagne.

Grande parte da história foi perdida, mas com uma minuciosa pesquisa a autora americana, Tilar J. Mazzeo, consegue juntar os fatos mais importantes da época para narrar uma aventura contagiante da viúva em busca de um sonho. É uma aula sobre vinhos, Champagne, história e empreendedorismo que com um pouco de imaginação nos leva de volta a origem de, provavelmente, a região e o vinho mais famoso de todos os tempos. Leitura deliciosa, difícil largar o livro antes do fim – por R$31,00 na Livraria da Travessa.


O Vinho Mais Caro da História, de Benjamin Wallace O Vinho Mais Caro da História - Benajmin Wallace

É a partir de um Lafite, 1787, com as iniciais de Thomas Jefferson e o escândalo de sua venda em um leilão por incríveis 156 mil dólares que este romance policial se desenvolve. Grandes nomes do vinho, como Broadbend e Rodenstock, e todos os rótulos mais famosos do mundo são personagens deste livro, parte histórico, parte romance (e você nunca sabe qual parte é qual).

O livro revela os escândalos que assolaram o mundo dos leilões de vinhos milionários na década de 90 com uma inundação de falsificações. Como pouquíssimas pessoas são capazes de atestar com autoridade a qualidade e sabor de um vinho antigo, passaram-se décadas vendendo garrafas supostamente intactas e originais, encontradas em antigas adegas. Afinal, qual deveria ser o sabor de um Latour, 1865? Quem diria que não é original e, pior, como comprovar?

Para apreciadores de vinhos é um deleite imaginar as mega-degustações, promovidas principalmente por Rodenstock, na década de 90, com todos os grandes vinhos das melhores safras que sempre quisemos provar. Chateau Petrús, d`Yquem, Margaux, Chaval Blanc, Mouton-Rothschild, Romanée-Conti etc. Eram dias e dias de orgias gastronômicas inacreditáveis.

O livro demora um pouco para embalar e eu não diria que chega a ser um grande suspense. Não sei se empolga quem não se interessa tanto por vinhos, para os enófilos, é diversão garantida. Curioso para ver o filme que deve sair em breve, infelizmente não achei maiores detalhes sobre as gravações. Se você souber, deixe um comentário! – R$39,90 na livraria cultura

Share

Duc de Raybaud, 2007 – Pinot Noir, Provence – Espumante Rosé

Acabo de experimentar este delicioso espumante de Provence e não pude deixar de publicar o primeiro post sobre vinhos não tintos neste jovem blog. É uma falha, eu sei, mas é fiel ao meu hábito de consumo. Recentemente experimentei uma série de espumantes na faixa dos 30 – 40 reais e não consegui escolher nenhum para falar bem. Finalmente, um pouco acima deste preço, apresento um belíssimo representante da região de Provence, tão tradicional quanto o Champagne, ambos franceses.

Duc de Raybaud, 2007 - Pinot Noir - Provence França

Este jovem Rosé, de cor bastante alaranjada, tem todas as características de um bom espumante francês Brut. Lembrando que para o vinho ser Brut é necessário ter menos do que 15 gramas de açúcar residual por litro, ou seja, um vinho seco, bem diferente do nada seco Demi-sec (com 33-55 gramas por litro), vinho razoavelmente doce e injustamente mais apreciado aqui no Brasil. O Duc de Raybaud é bastante seco e com boa acidez. Um pouco de frutas vermelhas no nariz e bastante cítrico na boca. De olhos fechados é possível confundi-lo com um bom Champagne. Vinho refrescante, bom para aperitivos e canapés. Nesta noite acompanhou com classe uma massa ao molho rosé e camarões, inclusive a sobremesa, brigadeiro de chocolate com granulado, em colher. Um ótimo espumante coringa!

A notícia ruim é que não é fácil achá-lo. O importador é a http://www.kb-vinrose.com/ no Rio de Janeiro, com representação pela http://www.brbebidas.com.br/ em São Paulo. Não sei exatamente o valor, mas é em torno de R$ 55,00 no varejo.

Share

Tabali Late Harvest, Muscat, 2007 – vinho doce de sobremesa I

Bons vinhos doces são caros. Geralmente, são comercializados em meia garrafas para minimizar o alto custo, mas também porque não se bebe em tanta quantidade. Eu adoro os Sauternes, já disse aqui, mas por todas as particularidades de sua colheita e produção, estes sim, são bem caros e para momentos especiais.

Porém, há muitos outros vinhos de sobremesas que também são capazes de adocicar nossas mesas com grande graça. Há o famoso vinho do Porto, que merece um post a parte. Mas gostaria de falar das boas oportunidades que temos na América do Sul, sempre nos proporcionando um bom custo benefício.

Recentemente experimentei o Tabali Late Harvest Muscat 2007 (importado pela Grand Cru, mas atualmente não está disponível no site deles - à venda na Boutique do Vinho). Não é um grande vinho de sobremesa, mas acredito que esta nem seja a intenção de seus produtores. Por 39 reais é uma excelente opção para encerrar refeições despretensiosas. Apresenta bons aromas de frutas verdes e banana, boa acidez e bom frescor. Um pouco verde no paladar, amarrando levemente a boca, mas não acho que chega a comprometê-lo. É um vinho para abrir e tomar lentamente, junto com uma sobremesa de morango, por exemplo. Aguenta bem por uns 3 ou 4 dias na geladeira.

Pertencendo a uma categoria mais exclusiva, de vinhos de sobremesas, podemos dizer que é sim uma opção boa e barata!

Share

Robertson Winery, Chapel Red, 2006 sul africano – bom e barato

A busca pelo vinho bom e barato continua.Robertson Winery, Chapel Red, 2006 - Merlot Sul africano

Semana passada fui apresentado a este vinho durante um jantar familiar. Não o conhecia, aliás, apesar de ouvirmos bastante sobre a reputação da África do Sul  em relação à qualidade, seus vinhos não costumam ser tão presentes nas prateleiras e geralmente são pouco acessíveis para nós. Engano meu, eis que surge este vinho na mesa e encanta a todos com a sua elegância e maciez.

É um vinho relativamente jovem, de cor viva e intensa. No nariz, ele traz bastante frutas vermelhas, normalmente presente em vinhos do novo mundo, e algo mais maduro também. Não chega a ser um bouquet riquíssimo, mas é razoavelmente expressivo para um vinho desta categoria. Na boca, demonstra ótimo equilíbrio entre acidez e taninos, característica que eu aprecio na Merlot. As frutas vermelhas e frutas maduras também aparecem aqui, mas com leve adição de terra e vegetais.

Finalmente, a melhor notícia, você encontra este vinho por R$ 23,32 no site da Vinci. Estou comprando uma caixa!

Share

Página 1 de 41234