comVinho – onde comprar, bom e barato, dicas e experiências enófilas

Dois Bordeaux, um argentino e um francês

Sumiço é a palavra que descreve o meu comportamento para com este blog. Peço perdão. Quem me acompanha no twitter sabe que continuo tomando vinho, falando sobre eles e conversando com todo mundo que se interessa pelo assunto. E quem me conhece pessoalmente sabe o motivo que tem me mantido afastado e sabe também que a tendência é passar.

Bom, vamos ao que me leva a escrever para vocês. Noite especial com pessoas especiais e, é claro, vinhos especiais. Foram “dois Bordeaux”, um de Paulliac, Château Batailley 2005, Grand Cru Classe e outro, com a licença poética a que me concedo, o que considero ser o melhor vinho da melhor vinícola argentina: Catena Zapata Estiba Reservada, 2003. O primeiro, Bordeaux em todos os sentidos: origem, terroir, assamblage, e todas as características olfativas e palatáveis que cabem a um bom Grand Cru Classe. O segundo é o corte que teria tudo para ser francês e que costumo chamar de Bordeaux argentino: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Malbec, uvas de origem francesa, mas esta última gostou muito mais do clima sul americano. E com esta classe, elegância, potência e equilíbrio, Malbec, só nas mãos da família Catena e em terras argentinas.

O escolhido para estrear a noite foi o do novo mundo. Ordem arriscada, talvez, mas ainda acho que foi uma escolha correta. Este vinho é uma excelência em equilíbrio. Difícil encontrar uma equação tão perfeita de corpo do novo mundo com esta elegância e personalidade. Muita fruta vermelha, taninos presentes sem sobressair e final longo. Aromas bem definidos e agradáveis, maravilhoso.

Em seguida, tarefa difícil, um legítimo Bordeaux Paulliac, região que produz os vinhos mais bem encorpoados de Bordeaux. Famosos pela presença, mas ainda assim, mais discreto em comparação com o terroir argentino. Começou tímido, mesmo após boa espera no decanter. Mas passando o terceiro gole percebe-se o caminho que talvez apenas um grande Bordeaux pode proporcionar. Complexidade incrível de aromas maduros, frutas e tostado, praticamente sem madeira, restando apenas vanila e chocolate. Ele também carrega deliciosos sabores, presentes e marcantes. Mas são os aromas médios, aqueles transitórios entre aromas reconhecidos, que tornam este vinho um deleite. “Ele possui entrelinhas…” foi a melhor tradução que eu consegui no momento para explicar esta sensação. Ou seja, é um daqueles vinhos que você sabe que não há como descrevê-lo. Melhor encher a taça e aproveitar cada gota.

Dois gigantes… Ótimas expressões de novo e velho mundo. Cada um tem sua prateleira reservada em minha adega. E espero que não falte energia, ambos merecem muito respeito.

Share

Vinho Feudi di San Marzano Primitivo Puglia 2006

Primitivo Puglia - Feudi Di San Marzano 2006Na batalha constante de achar um vinho de R$20 – 30 digno de recomendar para vocês, achei este Feudi di San Marzano 2006, de R$ 26,00, um italiano com a uva Primitivo da região de Puglia. Com DNA idêntico à Zinfandel, famosa na Califórnia, EUA, esta uva resulta em vinhos intensos, frutados, alcóolicos e muito interessantes quando bem trabalhadas.

Este Primitivo tem cor intensa, quase preta e um nariz que chama atenção pelo seu razoável bouquet, algo incomum para vinhos desta categoria. No meu nariz é exatamente como um bolo de chantilly com frutas vermelhas. Na boca, de sabor intenso, se destaca mais uma amora bem madura e doce. Bastante suculento, deve ser um vinho versátil para combinar desde carnes vermelhas até uma boa pizza margherita.

Mais um “Best buy”, ou bom e barato, como prefiro chamar.

Share

Tabali Late Harvest, Muscat, 2007 – vinho doce de sobremesa I

Bons vinhos doces são caros. Geralmente, são comercializados em meia garrafas para minimizar o alto custo, mas também porque não se bebe em tanta quantidade. Eu adoro os Sauternes, já disse aqui, mas por todas as particularidades de sua colheita e produção, estes sim, são bem caros e para momentos especiais.

Porém, há muitos outros vinhos de sobremesas que também são capazes de adocicar nossas mesas com grande graça. Há o famoso vinho do Porto, que merece um post a parte. Mas gostaria de falar das boas oportunidades que temos na América do Sul, sempre nos proporcionando um bom custo benefício.

Recentemente experimentei o Tabali Late Harvest Muscat 2007 (importado pela Grand Cru, mas atualmente não está disponível no site deles - à venda na Boutique do Vinho). Não é um grande vinho de sobremesa, mas acredito que esta nem seja a intenção de seus produtores. Por 39 reais é uma excelente opção para encerrar refeições despretensiosas. Apresenta bons aromas de frutas verdes e banana, boa acidez e bom frescor. Um pouco verde no paladar, amarrando levemente a boca, mas não acho que chega a comprometê-lo. É um vinho para abrir e tomar lentamente, junto com uma sobremesa de morango, por exemplo. Aguenta bem por uns 3 ou 4 dias na geladeira.

Pertencendo a uma categoria mais exclusiva, de vinhos de sobremesas, podemos dizer que é sim uma opção boa e barata!

Share

Capítulo 12 – Um best-buy ou o bom uso do decanter? O mito da metade da garrafa

Venho dividir com vcs minhas impressões de um legítimo Napa Valley: COURTNEY BENHAM, Napa Valley, Cabernet Sauvignon com Merlot (78% – 12%), 2006. Como diriam aqui nas terras do Tio Sam, “waaaaaaaaay better” se comparado ao Running with the Scissors. Trata-se de um vinho tinto com aquilo que eu – com minha pouca experiência por aqui – diria que concentra as principais características dos Cabernet Sauvigon daquelas bandas.

É um vinho rico e intenso, com pouca madeira e muita fruta madura, que vira um pouco gosto de tostado ou fumo (vai saber!), desde o começo bastante aveludado, e graças aos céus, de final longo! Na internet, vi que a Wine Enthusiast classificou com 87 pontos. Na loja, paguei USD18 s.m.j. Nota 8,2.
Bom, após essas informações sem muita precisão técnica, vamos para onde eu posso contribuir: a experiência de beber o vinho. Pessoal, aqui abro um enorme parênteses: quando devo usar o decanter? “Devo”? Há motivo para tal? Quando um vinho comporta e quando não comporta um decanter? Olhem, conversando com um expert da Total Wine, um francês radicado aqui há 8 anos, ele me disse o seguinte: salvo raras exceções, sempre devemos nos socorrer do decanter quando possível. Ele usa para tudo, e na maioria das vezes, o delta-T é de cerca de 2 horas. Eu me contendo com 30 min na regra geral, com direito a 45min para poucas garrafas (via de regra, a 2ª garrafa do momento).
Na minha opinião, o decanter te dá 30min (ao menos) de vantagem na degustação de uma garrafa. Salvo aqueles vinhos muito velhos e delicados, tudo aquilo que refere-se ao dia-a-dia (e posso arriscar dizer que aplica-se a tudo de até uns 8 a 10 anos de idade) merece um decanter.
Bom, depois de puxar tanta sardinha para o lado do tal do decanter, volto ao Courtney Benham: menos de 10 min. de respiro e já fui prová-lo. O primeiro gole estava alcoólico, culpa dos 13,9ºGL. O resto, foi uma maravilha. Talvez por ser novo, assim que você bebe a primeira comparação é com um vinho frutado com final longo: Barolo na cabeça, eu pensei. Mas aí, poucos segundos depois mostraram aquela sensação que eu curto muito de um corte aveludado de Cabernet, quase adstringente. E o corpo vem na sequencia, e persiste na boca com um final longo. Delicioso. Faltou uma carne para acompanhar.
Bom, se eu escrever algo além disso para essa garrafa, seria pura ficção não-científica. Então vamos ao último tópico: o mito da 1/2 garrafa (tm Jig), que novamente comprovei hoje. Num tenho muita resposta, nem mesmo muitas colocações a respeito, senão um punhado de dúvidas fracas que não nos levarão a muito lugar que não um desabafo coletivo. Porque catzo toda garrafa fica melhor após bebida a 1ª metade dela? Seria o álcool indo embora? Ou seria ele chegando (no nosso fígado)? Seria a tal da oxidação? Meias garrafas seriam o caminho da salvação (hehehe … me diverti com essa; mas adianto que não é a saída)?????
Enfim, com o Courtney Benham não foi diferente.
Para a posteridade, fica a dica desse vinho. Eu recomendo.

ASF

Share

Página 1 de 41234