comVinho – onde comprar, bom e barato, dicas e experiências enófilas

Vinho para todos. Todos mesmo!

Eu defendo este lema, mas talvez de uma forma um pouco diferente do que o habitual. É cada vez mais raro o enófilo conservador que preserva o seu costume de degustar o vinho cheio de pompa e cada vez mais comum o discurso não menos chato dos “anti-enochatos”. São pessoas que até gostam de vinho, mas por não se interessarem em estudar minimamente o assunto, assumem que qualquer um que sabe diferenciar um Pinot Noir de um Malbec, é um enochato.

Não é bem por aí. Precisamos sim popularizar o vinho e evitar o enochatismo fora de hora. O próprio comVinho surgiu com esta missão, não apenas o blog, mas através de um projeto que muito em breve estará no ar, para facilitar a vida de todos nós consumidores. Isso significa tornar o vinho mais acessível em preço e também como informação, explicar de forma simples o caminho para uma boa compra e a melhor escolha de rótulos para cada situação. Existem muitos blogs sobre o assunto com abordagens variadas, inclusive esta visão mais pragmática. O Enoblogs, aliás, é uma ótima iniciativa para organizar toda esta informação.

Porém, não podemos cair no outro extremo. Falar sobre vinhos, degustar, prestar atenção nas características olfativas e gustativas não só é necessário para a indústria como é divertido para os apreciadores. Assim como na música, é possível aumentar o seu prazer de beber um vinho se você desenvolver o seu paladar, sua memória e capacidade de fazer associações.

Muitas pessoas gostam e entendem de vinhos, mas evitam falar qualquer coisa sobre o que estão sentindo ao degustar para não parecer um enochato, mesmo em situações absolutamente apropriadas para isto. Nada contra quem quiser passar a vida inteira tomando vinho sem nunca compará-lo a uma fruta, ou buscar desvendar um aroma diferente. A maior parte dos consumidores nunca fará isto. Mas que deixem os interessados se aprofundar e respeitem este conhecimento, assim como paramos para ouvir os comentaristas de futebol (mesmo quando não há nada a ser dito).

É evidente que há situações completamente inapropriadas para a degustação, nem precisamos nos alongar nos exemplos. Mas há muitas outras que são deliciosamente propícias para isto. Foi justamente por esta falta de bom senso que surgiram os anti-enochatos.

Se você gostaria de aprender mais sobre vinho, mas acha que não é capaz de fazer associações, você está errado. Crie sua confraria, reúna os amigos mais próximos (e com o mesmo interesse)  e aproveite para falar sobre vinhos, degustar, harmonizar e aprender, sem receio de não gostar daquele vinho de 92 pontos do Robert Parker. Seja educado e deixe de fora quem não gosta de nada disso. Cada chato no seu galho, não é mesmo?

Beber e falar sobre vinhos com os amigos é um ótimo programa. É prazeroso e cultural. Conversas sobre vinhos sempre envolvem conhecimentos interessantíssimos sobre geografia, história e curiosidades. É diversão na certa.

Como tudo neste vida, o segredo é o equilíbrio. Há de existir vinhos para todo e qualquer tipo de consumidor. E há de todo e qualquer tipo de consumidor entender que existem situações adequadas para cada tipo de consumo. Assim eu espero.

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Categoria: Opinião

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7 comentários

  1. É bem por aí mesmo! Existe atualmente uma fóbica rejeição a qualquer formalidade que me parece muito mais irracional do que o próprio formalismo. Engraçado que as pessoas geralmente levantam a bandeira da liberdade de escolha para atacar os atos formais e no final acabam perseguindo ferozmente que fez uma livre escolha pela formalidade. Ora, que cada um fique com sua escolha e que sejam felizes. O convívio deveria ser mais pacífico.

    Parabéns pelo blog!

    Marcelo Oliveira

  2. Guilherme Girão disse:

    Excelente texto! Nunca tinha parado para pensar que os anti-enochatos são tão chatos quanto os enochatos.

    Abraço!

  3. Caro comVinho!
    Permita-me comentar o seu texto “Assim como na música, é possível aumentar o seu prazer de beber um vinho se você desenvolver o seu paladar, sua memória e capacidade de fazer associações”
    1 – Para mim não aumenta o prazer fazer isso.
    2 – O problema é que como você a maioria dos que sentem prazer com isso, acham que isso aumentaria o prazer de todos.
    3 – Eu não quero saber nem quem nem como toca “aquele” instrumento na orquestra, quero apenas ser um amante de música e só e não ficarem achando que sentem mais prazer que eu por quererem “estudar e entender” sobre “música; vinho” e por aí vai..

    Abraços

  4. João Borges disse:

    Reclamar que a cerveja não está estupidamente gelada é bem visto. Todos aplaudem e concordam com você. Mas vai reclamar da temperatura do vinho … a grande maioria vai te considerar um eno-chato. E estamos falando apenas de uma propriedade (temperatura) que obviamente influência bastante qualquer tipo bebida.

  5. Andre disse:

    Tendo a crer q há algumas coisas nessa vida q, de tão pessoais, recitá-las como quem lê Shakespeare ao ar livre sem motivo algum, soa estranho – e beira a arrogância.
    Eu manjo de física do 2º colegial, e sei que vários tb o fazem. Mas nem por isso chego do lado deles e fico falando da força momento (lembram dessa?). Mesmo q ao meu lado esteja um professor de física – vai saber se ele quer falar disso ali naquela hora….
    Daí, na linha do “poupe-me de detalhes sórdidos”, eu acho q discutir vinho em um momento propício (leia-se, momento muito específico para tal) é ok, aceitável, pertinente. Porém no meio da festa de fim de ano da “firma” onde Nova Schin pode ser o grande hit do momento ou mesmo quando você leva seu pai para jantar num restaurante bonzin, aí eu acho demais.
    Por ex, vc num fica discutindo com um brother seu os 42 maltes (é vero! eu fiz um curso disso!) q em média compõem um JW Black Label, né? Pq. então as pessoas se dão o direito de falar sobre notas e tons de vinhos quando isso não é um assunto corriqueiro e impessoal? Virou moda? É ferramenta de afirmação de personalidade? Ou pior, afirmação social? Aff … aí é ruim mesmo.
    Sei lá …. bebo muito vinho, talvez além da conta, mas prefiro falar q gostei pra xuxu e beber mais, às vezes sem que os demais percebam que estou enchendo minha taça novamente, do que descrever aleatoriamente no meio de quem num entende (ou que realmente não finge entender) do universo de Baco.
    Era mais isso mesmo.

  6. Adalberto disse:

    Falar sobre vinho,nem sempre é agradável para quem ouve.Denota um certo pedantismoe arrogância.Dizer que este ou aquele é o melhor´,nem sempre corresponde à realidade do momento.Aprendi há muito tempo,que a qualidade do vinho, depende ,com que ,com o que e, com quem se degusta.Posso estar enganado,mas já degustei vinhos sem muita qualificação e até hoje sinto em minha memória o seu aroma e paladar.

  7. Adalberto disse:

    O vinho é das maiores riquezas da França.se não a maior.No livro Vinho & Guerra de Don e Petie Kladstruf podemos constatar essa importância para os franceses e sua economia.A luta desse povo para preservar que êles dizem,ser o seu maior tesouro

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