mai 27, 2009 0
Harmonização – você entende muito mais disto do que imagina
É impossível falar sobre vinhos sem pensar em harmonização. Até parece que é alguma coisa muito complexa, técnica, apenas para experts. Não é. Harmonização é apenas a combinação entre duas ou mais substâncias em nossa boca. Você harmoniza alimentos todos os dias quando escolhe a comida em seu prato, o que vai perto ou em cima do que e qual alimento deve ser combinado com outro antes de ser levado a sua boca.
Há duas grandes variáveis que determinam se uma harmonização é boa ou ruim para o nosso paladar: 1) as características químicas das substâncias com as reações provocadas por elas em nossos sentidos e 2) o nosso gosto, experiência, memória gustativa e olfativa.
A primeira, podemos dizer que é quase uma ciência exata. Sentimos o doce, amargo, azedo e salgado em nossa boca por motivos biológicos. Cada uma destas sensações em regiões diferentes da língua (papilas gustativas), bochechas e olfato.Veja mais detalhes aqui.
Importante ressaltar que nenhuma destas quatro sensações gustativas são opostas. Diferentemente do que costumamos falar, o doce não é o oposto do salgado, ou amargo. Um café, por exemplo pode ser bastante amargo mas também pode trazer a sensação do doce. Eu eu, que não coloco açúcar em café de forma alguma, adoro sentir o doce suave em um bom café expresso e bem tirado. Os vinhos, por exemplo, não raramente são salgados e azedos, doce e amargo, tudo isso ao mesmo tempo provocando dezenas de diferentes sensações em nossa boca e olfato.
Porém, o componente essencial para uma boa harmonização é o tom pessoal que cada um de nós acrescenta a este processo, o que chamamos de gosto. Durante as reações químicas de nosso paladar, o cérebro procura relacionar as sensações que estamos sentindo com outras antes já experimentadas. Por isso que tomamos vinhos com aromas de cassis, frutas vermelhas ou hortelã. São relações que estabelecemos de uma determinada sensação com outras similares que já tenhamos experimentado no passado em uma outra substância.
É comum que estas relações sejam compartilhadas entre diferentes pessoas, já que as características químicas das substâncias são as mesmas e devem provocar reações e memórias parecidas para todos nós. Porém, não é raro, ainda bem, que haja divergência nestas comparações e que determinadas sensações sejam mais prazerosas para uns do que para outros. Valores sentimentais, lembranças e experiências pessoais são determinantes para compor o nosso gosto.
Desta forma, tão importante quanto experimentar, testar e combinar as substâncias é traças as relações. As elaboradas descrições de vinhos que chegam a comparar o sabor da uva com “caixas de lápis de cor, coloridos”, por exemplo, apesar de muitas vezes parecerem ridículas, são importante. Não apenas para tentar traduzir as sensações que determinado vinho provoca para quem está experimentando, mas também para uma certa “categorização” pessoal. Ao estabelecer estas relações você está documentando a sensação que você sentiu, o que poderá ajudá-lo no futuro a lembrar do gosto daquele vinho e, inclusive, perceber se o seu paladar evoluiu.
Deguste, combine, provoque o seu paladar e anote o que você sentiu. Mesmo que seja uma relação aparentemente absurda, não faz mal, a combinação das sensações e o exercício em seu cérebro para relacionar os sabores é de imensa importância para a evolução sou seu paladar.
Share
Sauternes é uma 
Comentários